Nesta quinta-feira, 19/03, às 20h, haverá uma reunião dos artistas que fazem parte do Movimento dos Sem Palco (MSP), no Centro Cultural Tatuapé, à Rua Torrinha, 19, próximo ao Metrô Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo.
A reunião é para formalizar os apoios dos artistas ao teor de uma CARTA MANIFESTO a ser encaminhada à Secretaria Municipal da Cultura.
Na sexta-feira, 20/03, às 11h, o grupo se reunirá na Secretaria Municipal de Cultura, à Rua Libero Badaro, 346 - metrô São Bento, com o propósito de entregar a CARTA MANIFESTO ao secretário Totó Parente.
A íntegra do documento está logo abaixo.
Walter Egéa, empreendedor cultural, em suas redes sociais, argumenta que as plataformas digitais destinadas às inscrições são complexas, não geram protocolos e nunca dão retorno aos artistas não contemplados para eventos, tais como a Virada Cultural.
Tal posicionamento veio depois de inúmeras tentativas frustradas de inscrições às cegas.
"Todo ano é assim: as plataformas não informam se a inscrição foi realizada, não geram protocolo de inscrição e também não esclarecem os critérios de negativa", desabafa Egéa. "Depois a gente fica sabendo que verbas milionárias foram destinadas a artistas de renome e projeção, mas a gente não tem acesso aos critérios dessa curadoria. Por isso que a gente está se mobilizando!", declara Walter Egéa.
Um grupo de WhatsApp está concentrando as adesões https://chat.whatsapp.com/KgBB7sMDoY06Zl12GT0dtg?mode=hqctswi
O Programa Disruptivos Culturais, apoia a iniciativa encabeçada por Walter Egéa, pois vê ampla sinergia entre os propósitos do manifesto e os do Programa Disruptivos Culturais, lançado em outubro de 2025 a partir de uma parceria entre a Edge Mídia e Innovati. "Acreditamos na Economia Criativa, nos valores locais e expressões artísticas plurais, como resposta social capaz de 'furar as bolhas' midiáticas, de abrir novos palcos e, por fim, promover uma verdadeira transformação social", declara Sandra de Angelis, jornalista. "As artes têm os recursos autênticos para tanto, só não podem ser confinadas em feudos e atreladas a interesses meramente comerciais. Este deveria ser o propósito da Virada Cultural!, conclui Cris Lindner, designer que juntamente com Sandra de Angelis, assina o Programa Disruptivos Culturais .
GRUPO DE ARTISTAS INSATISFEITOS COM OS CRITÉRIOS E PROGRAMAÇÃO DA VIRADA CULTURAL
IRÁ ATÉ A SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA ENTREGAR UMA
NOTIFICAÇÃO MANIFESTO.
No dia 20 de março às 11h, um grupo de artistas de diversas áreas se reunirá para entregar à Secretaria de Cultura e Economia, sob os cuidados do secretário Totó Parente e da Curadoria da Virada Cultural, uma Notificação Manifesto. Esse manifesto busca esclarecimentos sobre os critérios de seleção dos artistas que participam da Virada Cultural e sobre a destinação dos recursos financeiros envolvidos no evento.
A iniciativa surge em resposta a uma inquietante realidade observada nas edições anteriores da Virada Cultural, onde um número restrito de artistas recebeu cachês considerados exorbitantes, enquanto milhares de outros artistas, ficaram à margem. O Movimento dos Sem Palco (MSP), que representa esse grupo de artistas sem palco, tem por objetivo chamar a atenção para a necessidade de maior transparência na distribuição de recursos e na seleção dos participantes.
A Notificação Manifesto solicitará informações claras acerca de como as decisões são tomadas e quais os critérios específicos utilizados na escolha dos artistas. Espera-se que essa demanda não só promova uma reflexão crítica sobre as práticas atuais, mas também contribua para um futuro mais justo e inclusivo na cena cultural. Essa mobilização é um passo importante na luta por um espaço mais equitativo e representativo no cenário artístico.
MSP – Movimento dos Sem Palco
Contato: Rua Torrinha, 19 – Tatuapé – 11-9.9796.0910
Segue a Notificação Manifesto
À Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa da Prefeitura de São Paulo
À Curadoria da Virada Cultural
Vimos por meio desta, notificar a SMC e a curadoria da Virada Cultural sobre a necessidade de transparência e clareza nos critérios de seleção dos artistas inscritos na Virada Cultural.
É fundamental que o processo de inscrição, realizado por meio eletrônico, seja acompanhado da geração de um protocolo que comprove a participação dos candidatos. A ausência desse documento gera insegurança quanto à validação das inscrições. Além disso, a falta de informações sobre os resultados da seleção e as diretrizes utilizadas para a escolha dos artistas compromete a credibilidade do evento e desestimula a participação de talentos locais.
A comunicação clara acerca dos critérios de seleção não apenas reforça a confiança em processos culturais, mas também fomenta um ambiente colaborativo entre a Secretaria e os artistas. A solicitação apresentada traz à tona também uma discussão fundamental sobre a eficiência e a equidade na aplicação dos recursos públicos destinados à cultura, especificamente no contexto de grandes eventos como a Virada Cultural.
O ponto central levantado — a desproporção entre os valores destinados a um número reduzido de artistas com relevância popular e o potencial de fomento à cadeia produtiva cultural local — é legítimo e merece uma análise técnica detalhada. A comparação apresentada é elucidativa: os recursos alocados para os 10 maiores cachês da Virada Cultural de 2025, algo em torno de R$ 6 milhões, segundo divulgado, poderiam, de fato, viabilizar a realização de 1200 projetos de artistas independentes com um cachê de R$ 5.000,00 cada, ampliando significativamente o escopo, a diversidade e o alcance democrático do evento. Essa concentração de verba contraria o princípio de pluralidade e de descentralização que deve guiar as políticas culturais públicas. A justificativa recorrente de "limitação orçamentária" para não executar outros projetos perde sua credibilidade quando confrontada com essa disparidade, gerando frustração e desconfiança no setor.
Portanto, é imperativa uma revisão transparente dos critérios de contratação e da matriz de distribuição dos recursos. O objetivo deve ser a construção de uma política mais equilibrada, que preserve a atração de grandes nomes, quando justificável, mas que priorize a capilaridade do investimento.
Uma Virada Cultural verdadeiramente democrática é aquela que se espalha pela cidade, valoriza a produção independente, fomenta a economia criativa local e oferece à população um retrato plural da arte, e não apenas um cartaz estrelado. A transparência na prestação de contas e a participação do setor na discussão desses critérios são passos essenciais para restaurar a confiança e otimizar o impacto social do recurso público investido.
Atenciosamente
Walter Egéa e demais 167 artistas, grupos, cias, coletivos e produtoras
MSP – Movimento dos Sem Palco - Rua Torrinha, 19 – Tatuapé – 11-9.97960910

